‘Ka bu skeci tradison’, projecto de Djam Neguin num conceito CV Futurista

Djam Neguin, artista multidisciplinar cabo-verdiano, lançou recentemente o ‘video-single’ “Ka Bu Skeci Tradison”, disponível em todas as plataformas digitais desde o dia 4 de Fevereiro.

“Trata-se de um exercício de regressar às nossas origens, à nossa ancestralidade, à nossa mais particular tradição, que nos distingue de outras pessoas e de outros grupos no mundo inteiro”, explica o artista.

Nascido e criado em Cabo-Verde, na cidade da Praia, até aos 9 anos de idade, Djam Neguin cedo revelou talento artístico, ao se destacar nas actividades recreativas. A mudança para Portugal, onde viveu até aos 19 anos, foi essencial para o desenvolvimento das suas aptidões.

Atualmente é uma das mais multifacetadas personalidades artísticas/culturais de Cabo-Verde, somando prémios e distinções, participando em projetos diversos, tendo a oportunidade de trabalhar com prestigiadas personalidades da arte e cultura internacionais.

Aos seus talentos que passam pela dança, música, teatro, moda, performance, literatura, cinema/audiovisual, se complementam as atividades como promotor, produtor cultural. Desde 2011, ano em que regressou à sua cidade Natal, vem produzindo e realizado vários projectos, sobretudo ligados à arte. 

É diretor e criador de eventos como: o Monday Jazz , Hip Hop Summer Fest, Festival internacional de Dança Contemporânea Kontornu, o Konkursu Nacional de Hip Hop, a Gala Mostra de Dança, o Kebra Cabana Urban Battle, tendo ainda coreografado e participado em conceituados eventos como Cabo Verde Music Awards, Prémio Nacional de Publicidade, Gala Somos Cabo-Verde, o Kriol Jazz Festival, Festival Mindelact, TED X, o Badja ku Sol, entre outros.

Já representou Cabo-Verde, lecionou e apresentou os seus trabalhos artísticos em Portugal, Espanha, Moçambique, Itália, Estados Unidos da América, Holanda e Brasil.

CV-Futurismo

O videoclipe do mais recente single “Ka Bu Skeci Tradison”, concebido e dirigido pelo próprio Djam Neguin, é uma proposta estética inovadora, que se enquadra num conceito denominado CV-Futurismo, subtraído do Afro-Futurismo que reside na ideia de “como se pode criar um movimento para imaginar o povo negro no futuro”.

“Neste caso, aplicando a Cabo Verde como seria o cabo-verdiano do futuro, como seria o Cabo Verde do futuro, e é um exercício de imaginação, de criação, de invenção de um colectivo que podemos vir a ser”. A seu ver, o futuro é um exercício, sobretudo de imaginação. O movimento, sublinhou, faz parte da constatação de que todo o movimento futurista ocorrido no mundo, que é uma proposta estética, filosófica e intelectual, aconteceu dentro do contexto de branquitude.

“Nos filmes, por exemplo de ficção cientifica, todo o conjunto de produção cultural que imagina o futuro, há pouco ou quase nenhuma presença de negros, o que nos leva a questionar onde existiremos, se não estamos representados”, questionou.

Daí que, defende o músico, há a necessidade de começar um movimento que imagina ao Homem Negro no futuro, propondo como “queremos ser” e por não existir ainda, há a possibilidade de criar novas linguagens, visto que, em seu entender, cultura é “invenção”.

“Ka bo skeci tradição”, consta do seu novo EP de cinco faixas, intitulado “Autofagias”, cujo lançamento está previsto para o primeiro semestre deste ano, seguindo a ideia acima narrada, através de vários temas. “Autofagias, resumidamente, é um processo pelo qual o seu corpo alimenta-se de si mesmo”, aponta perspetivando que as pessoas adiram e se identifiquem com o EP no qual promete explorar e experimentar novas sonoridades, trazendo outras vibrações para a música cabo-verdiana. 

“A proposta é viver o CV-Futurismo não só na música, mas no audiovisual, na moda, começar a assumir uma identidade mais africana e uma nova estética visual, inclusive, pegar os elementos que caíram em desuso ou que não tem uma função prática e colocá-la num âmbito estético”, prognostica.

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