Filme ‘Urubu é o amigo desconhecido’ de Welket Bungué estreia em portugal

Foto: Caminhos (reprodução)

O filme “Urubu É O Amigo Desconhecido” de Welket Bungué, ator e realizador luso-guineense, fará estreia em Portugal a 9 de Novembro no 27º Festival Caminhos do Cinema Português.

Integrado na secção competitiva Outros Olhares“, o filme co-produzido pela Radio Escada e a Kussa Produções, vai ser exibido na Casa do Cinema de Coimbra, um dos espaços onde decorre a programação do Festival.

A obra acompanha um casal (interpretado por Kristin Bethge e Welket Bungué), que “reencontra-se numa praia algures no Brasil, e os urubus começam a comunicar com eles usando a dialética dos seus ancestrais. Urubu é o outro desconhecido, ou a humanização do espectro animal a partir da abstração do humano”, lê-se na sinopse.

De acordo a Bungué, este filme foi criado em abril de 2021, quando estava em Ilha Grande, no Brasil. “Inspirei-me na memória do livro ‘A Queda do Céu’, de Davi Kopenawa. O que retenho desse livro, é essencialmente a condição humana e a matriz da espiritualidade dos Yanomani da floresta amazónica brasileira”, conta nas suas redes sociais.

‘O urubu é o amigo desconhecido’ revisita outro poema escrito pelo seu pai Paulo T. Bungué, “O passado e o presente”, poema que é parte do livro ‘Cabaró, Djito Tem!’, publicado em Lisboa em 1996.

Nas palavras do realizador:

“A intermitência entre a vida e a morte como espaço e temporalidade coexistentes, fascinou-me enquanto possibilidade energética e imaginária. Então, decidi filmar um período das nossas vidas (Welket & Kristin), focando-me na fugacidade de tudo o que a câmara possa captar, quer sejam elas formas, sensações, cores ou sobretudo a luz.

O abutre, ou o urubu, – como é chamado no Brasil, – é uma criatura ímpar, sábia, calculista e paciente, e a sua presença é no mínimo produtora de tensões, e despertadora de todo um imaginário no mínimo obscurantista.

Interessa-me no entanto desconstruir todos os significantes nefastos e preconceituosos associados à cor negra ou preta, assim como articular ficcionalmente a ideia de uma criatura desconhecida que tem a capacidade de nos atrair e ao mesmo tempo repulsar.

O urubu é o amigo desconhecido, aquele que nos desperta a atenção e que achamos conhecer sem sequer nos dirigirmos a ele como outro, como nosso “semelhante”.

Entre ser e não ser, eis a questão. Perceber como somos ética e moralmente questionáveis relativamente ao outro, que somos simultaneamente, porque a História nos une sempre que procuramos identificar as nossas diferenças, ao tertarmos sobrepor-nos ao Outro.

Neste filme, nós “os protagonistas humanos” somos a metamorfose do urubu, assim como a câmara é a personificação dos urubus, e não o contrário. O filme busca a humanização do espectro animal, a partir da abstração do humano”.

Welket Bungué

 

Assista abaixo o trailer do filme:

Mas antes de Portugal, ‘O urubu é o amigo desconhecido’ tem estreia oficial no 14º Festival Internacional de Cine Africano de Argentina que se realiza de 1 a 10 de Novembro.

Outro filme de Welket Bungué, “A Mudança” integra também a secção competitiva “Outros Olhares” do Festival Caminhos, com exibição para 07 de novembro. Além disso, “Mudança” estará na seleção oficial do Porto/Post/Doc secção “Cinema Falado”, que acontece de 20 à 30 de Novembro.

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