Filme ‘Nossa Senhora da Loja do Chinês’ estreia em Roterdão

Novo filme da Geração 80, “NOSSA SENHORA DA LOJA DO CHINÊS”, escrito e realizado por Ery Claver, terá sua Estreia Mundial em Janeiro de 2022, na 51ª edição do Festival Internacional de Cinema de Roterdão (IFFR).

A obra estreia na categoria Bright Future (Futuro Brilhante)”, que se foca na selecção de talentos emergentes que trabalham com temas originais e um estilo individual. Nesta edição, o festival celebra a riqueza e diversidade numa programação traduzida em ideias e pensamentos que juntam extremos opostos de um espectro vanguardista.

Este é o segundo filme da Geração 80 a estrear no festival, depois da estreia de ‘Ar Condicionado realizado por Fradique em 2020, também na mesma categoria. “Fazer mais uma estreia neste festival é especialmente importante pra nós, por considerarmos o evento mais que um festival de cinema: a vivacidade de agregar outras linguagens, a preocupação de trazer cinema independente de várias partes do mundo e a ousadia de romper com algumas tradições dos grandes festivais europeus”, explica a produtora angolana.

O filme é a primeira longa-metragem de ficção de Ery Claver, “um realizador que tem como set de gravação a rua, o urbano e as relações interpessoais, o humano/personagem no coração da história”.

Para Ery Claver, “este filme fala essencialmente sobre o tempo em que vivemos. Se a realidade se permite esse paradoxo, então nós, ficcionistas, andamos a dormir e nem por isso estamos a sonhar. Se a realidade não aceita mentiras, deve pelo menos saber conviver com as alusões, e aludir, ou então imitar a realidade”.

“Nossa Senhora da Loja do Chinês” foi apresentado oficialmente no último dia 9 de dezembro, em conferência de imprensa, que contou com a presença da imprensa, amigos, parceiros, equipa e elenco do filme.

Sinopse do filme

Quando um comerciante chinês traz para um bairro de Luanda uma singular imagem de plástico sagrado de Nossa Senhora, uma mãe enlutada busca a paz, um barbeiro atento inicia um novo culto e um jovem desorientado procura vingança por seu amigo perdido. Este bizarro conto urbano revelará uma família e uma fachada de cidade cheia de ressentimento, ganância e tragédia.

 

Sobre “Nossa Senhora da Loja do Chinês”

Filmado inteiramente em Luanda, cidade capital angolana, Nossa Senhora da Loja do Chinês é um filme que apresenta olhares diferentes sobre um mesmo objeto. “Um filme em que uma grande construção importa tanto quanto o corredor da casa, a fé e o poder se encontram, o silêncio das conversas une-se ao som angustiante da água, o calor do sol se conecta a luz neon e um poeta que escreve em mandarim”.

O sentimento de perda do casal Bessa (David Caracol) e Domingas (Cláudia Púcuta) paira como uma nuvem fúnebre sobre eles e sobre a casa. Zoyo (Willi Ribeiro) nos leva para as ruas, na busca inquieta pelo seu fiel amigo. É a santa, este objeto de milagres prometidos pelo comerciante Zhang Wei (Meili Li), que desvenda personagens e acontecimentos, e que conduz ao olhar de uma sociedade entorpecida, com a saudade do que poderia ter sido e sujeita a constantes manipulações políticas e religiosas.

O filme, que iniciou as gravações em meio a pandemia de 2020 e propositalmente escolheu filmar com apenas dois atores e uma equipa reduzida, teve nas gravações da Tourada o seu desafio maior de produção, reunindo mais de uma centena de pessoas para voltar a ocupar o espaço com Cultura. “Esta grande construção, sem alicerces firmes, débil e inacabada, a Tourada, é a vulnerabilidade do poder evidenciado. O surreal edifício é uma das oito Praças de Touros construídas em África na época colonial, depois ocupado por por shows icônicos. Hoje carcomido pelo tempo, abriga salões de beleza, lavadores de carro e bares, sempre à espera da demolição ou da revitalização, planeada e prometida há anos pelo Estado”.

Além do elenco, as cenas que remontam uma comício de bairro, dirigido pela nata política e seguida de um bizarro banquete, contaram também com participações especiais. Pessoas que representam outros grupos e outras gerações da arte e da cultura angolana, que inspiram a fazer em coletivo. Filmar na Tourada teve a sua parte de celebração, de estar junto e de fazer cinema ao vivo. Não foi apenas criar um evento para a gravação, mas divertir-se no próprio evento e celebrar o cinema e a cultura nacional.

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